O silêncio dos insetos



Para quem é mais velho, existia uma situação muito comum ao andar de carro pelas estradas. Os vidros viviam sempre sujos de insetos que se esbarravam. Lembro, quando criança, quando ia brincar perto do carro do meu pai, bisbilhotava a grade frontal do radiador e encontrava diversos insetos desidratados ali: borboletas, cigarrinhas, besouros, abelhas, das mais diversas variedades. 

Era uma festa pegá-los com um palitinho fino e retirá-los para ver de perto como eram. Hoje em dia, é raro se chocar com um inseto durante um passeio pelas estradas. E o que isso tem a ver com nossa vida? A resposta é simples: tudo.

As populações de insetos estão diminuindo em ritmo alarmante. Em algumas áreas, há redução de até 75% nas últimas décadas. Era comum, anos atrás, ver revoadas de aleluias (siriris) e mariposas ao redor das lâmpadas de iluminação pública. Atualmente, isso é muito raro. Esse fenômeno tem sido chamado de “apocalipse dos insetos”, o que é extremamente preocupante.

Com o declínio dos insetos, cria-se um efeito cascata. Há diminuição da polinização, e isso afeta a produção agrícola, subindo preço dos produtos (cerca de 75% das culturas agrícolas dependem, em algum nível, de polinizadores como abelhas e borboletas). Muitos animais que se alimentam de insetos têm sua população reduzida, afetando toda a cadeia alimentar. Inclusive, pode haver aumento de pragas agrícolas, já que muitos insetos são predadores naturais e controlam espécies prejudiciais. E esses são apenas alguns dos impactos causados pelo apocalipse dos insetos.

E como podemos ajudar a diminuir isso? É simples: plante flores e plantas nativas que alimentam abelhas, borboletas e outros polinizadores. Evite ao máximo o uso de inseticidas, pois eles também matam os insetos “bons”. Pare de cimentar seu quintal: deixe um cantinho com folhas caídas e pequenos troncos para que os insetos possam se abrigar e se reproduzir. Reduza as luzes à noite, pois a iluminação artificial desorienta insetos noturnos. Enfim, preocupe-se com esses seres que muitos não julgam importantes, mas que, se desaparecerem, trarão graves consequências. 


Juliano Schiavo é professor, escritor e idealizador do projeto MoVer – Movimento Verde, que busca sensibilizar as pessoas sobre a importância da natureza. Instagram: @juliano.schiavo


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